Fujam desses clientes

contrato design designer portfolio

Quanto angariamos um novo cliente pensamos que vai sempre tudo correr pelo melhor.
Nem sempre acontece assim!

O melhor será precavermos-nos e assinarmos contractos que defendam os nossos direitos.

Existem uma série de frases feitas que muitos clientes costumam dizer quando estamos a negociar um trabalho de design.

Seguem-se uma série delas que Eu aconselho que fujam logo que as ouvirem 🙂

1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”
Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde.
Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.

2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma piadinha muito comum nos clientes.
A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada.
O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing.
Talvez um cliente mais inexperiente queira pagar após ver alguns esboços. Cabe a você aceitar ou não. Eu já fiz isso, mas após alguns dissabores passei a pedir sempre um valor de entrada e curiosamente nunca mais tive problemas.

3) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas.
E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão estudando.
Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai facturar com o seu trabalho?”.
Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer? É a verdadeira pescadinha de rabo na boca.

4) Olhando para seus estudos e rascunhos: “Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe esses estudos comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta”
Em menos de 5 minutos o cliente vai ligar para outros designers com seus estudos e conceitos criados na mão pedinchando melhores preços.
Quando você ligar de novo ele dirá que seu trabalho está muito acima do mercado, blá blá blá, e que Fulano Designer vai fazer o trabalho.
Mas como eles conseguiram outro designer mais barato? Lógico, você já passou o conceito todo criado! Economizou horas para o designer que vai pegar o trabalho.
Então, enquanto você não entrar em acordo com seu cliente NUNCA DEIXE NADA CRIATIVO no escritório dele!

5) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!

6) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “designer estúpido”, aí o contrato é essencial!
Simples assim!
A menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!

7) “Envie-me a conta depois que o material for para a gráfica”
Por que esperar por esse deadline irrelevante? Você é honesto, não?
Por que você deveria ficar preso a esse deadline? Uma vez entregue o trabalho, facture!
Essa desculpa possivelmente é uma táctica para atrasar o pagamento. Assim o material vai para a gráfica, precisa de alterações intermináveis e, adivinhe, ele arranja outra pessoa para fazer as alterações necessárias, o material vai para a gráfica e você nem fica sabendo!

8) “O último designer fez esse job por XX€ “
Isso é irrelevante. Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada para você.
Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira).
Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.

9) “Nosso orçamento para esse job é de XX€”
Interessante, não?
Alguém sai para comprar um carro e sabe exactamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa.
Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro.
Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele.
Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas.
A escolha é sua.

10) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos.
Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera.
Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco.
Não jogue dinheiro fora!

Adaptado de disco blog

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5 comentários a “Fujam desses clientes

  1. João Bem Autor do artigo

    Eu tenho-me fartado de aprender pelas piores maneiras. E acho que ainda não aprendi tudo.
    E que as técnicas dos charlatões vão-se refinando. :S

  2. Constança

    Isto é tudo mega verdade. Mas em negócios com amigos ou família é muito delicado falar de dinheiro.. Já vi várias vezes o dinheiro acabar com amizades… Bah, é muito complexo este assunto…

  3. cristina

    Em Maio, fui trabalhar para uma empresa em Algés como designer gráfica em regime freelancer. Na reunião, ambas as partes combinaram os projectos a serem desenvolvidos, o horário de trabalho (9:00h – 18:00h, incluindo a hora de almoço), a remuneração mensal (x) durante os dois meses de experiência, e se tudo corresse bem entrar para os quadros da empresa. A empresa em questão é uma empresa de já existia noutro local, mas estava em fase de mudança de Lisboa para Algés. Os projectos a serem desenvolvidos por mim seriam (foram) logótipo da empresa: cartão pessoais/empresa, painel de identificação da empresa (a ser colocado na fachada da mesma), desenhos vectoriais para vinil a serem inseridos em balcões/ilhas existentes no interior da empresa; folheto (triptico) sobre os produtos a serem vendido pela empresa. Havia urgência no desenvolvimento destes projectos para abertura oficial da empresa ao público.
    Só cumpri uma vez o horário de trabalho estabelecido (9:00h – 18:00h, incluindo a hora de almoço) no dia em que comecei a trabalhar, nos dias seguintes, fiz muitas horas extras, nomeadamente no dia anterior que sai da empresa, fiz um horário de 9:00h até as 00:30h do dia seguinte. Nesse mesmo dia, ficou combinado entre mim, o director da empresa e namorada, que só eu iria nesse dia a partir das 11:00h/11:30h, devido ao horário que fiz anteriormente, e ate mesmo o director disse que não estaria despachado antes das 10:00h. Mas de facto mesmo antes da horário combinado, estaria a receber telefonemas do director perguntando por mim, se estaria muita atrasada. Com a pressão estabelecida nos últimos dias provocada pelo director ( constantemente a perturbar o meu trabalho, com traduções para eu fazer, alterações de elementos em diferentes projectos, ou seja, não conseguia terminar um projecto, e ele já queria que eu alterasse o outro), houve um problema com os ficheiros para impressão do folheto, faltava elemenos de arte final.

    Dei inicio a preparação da arte final, segundo as instruções dadas por parte da gráfica onde se ia fazer a impressão do folheto, e mesmo assim o director da empresa queria dar-me instruções como se deveria fazer a arte final, algo que ele não tinha conhecimentos, e ainda me estava a atrasar com o projecto em questão. Existia muita pressão ao desenvolver a arte final, estando sempre com o director ao meu lado, sem me dar qualquer espaço para desenvolver o que faltava, algo que teria de ser feito com calma e bem feito. Havia muito em jogo, tal como: a ligação entre director e senhor da gráfica, o dinheiro a ser investido na impressão, abertura da empresa…
    A partir deste momento, não tinha qualquer condição para trabalhar neste empresa.
    De facto, desenvolvi esses mesmos projectos, com prazos muito curtos, e com o director da empresa a fazer comentários muito impróprios sobre os programas com quais estava a desenvolver os projectos, sobre como se deveria fazer a arte final do folheto em questão, entre outros…

    O director da empresa pediu-me para fazer as minhas horas de trabalho, e quanto é que ele me devia. No momento, não tinha em minha posse as minhas horas de trabalho, sim foi um erro meu. Ficou combinado entre ambas as partes, que faria as contas e enviaria por mail. Assim o fiz, horas normais (9:00h – 18:00h) e as horas extras (a partir das 18:00h). As minhas contas foram feitas segundo a remuneração estabelecida na reunião. Não concordou com as minhas horas, nomeadamente as minhas horas extras, dizendo que o freelancer não faz horas extras.

    Aceitei as suas contas mesmo não concordando para não ter qualquer problema. Pois mesmo assim estou a ter problemas em regularizar a minha situação. neste momento estamos em Novembro e ainda não recebi qualquer remuneração, nem das minhas contas, nem as dele.

    De Maio até a data, troquei uns emails, tendo tido sempre a mesma resposta ou desculpa, que esta a regularizar actividade da empresa, e por falta de verbas, e a espera de uma transferência não puderá efectuar o pagamento da remuneração.

    O pior é que não tenho qualquer contrato ou documentação como tive a trabalhar essa semana na empresa, visto que estava em experiência. Mesmo assim tenho alguns ficheiros dos trabalhos que desenvolvi (backup), não tendo os finais com pena minha. Só uns pdfs

    O que poderei fazer mais?

  4. João Bem Autor do artigo

    Pois Cristina,

    parece que tens ai um caso bicudo.

    Neste momento tens de ter calma e tentar receber o teu pagamento.
    Como não houve assinatura de contracto ficaste numa situação muito complicada.

    Aconselho a todos os que trabalham nestes regimes, a fazerem um pequeno contracto de trabalho. Não é preciso ser muito extenso, serve apenas para salvaguardar que vão receber algum pagamento do trabalho que fizeram.

    Outra das hipóteses é pedirem uma percentagem no inicio do trabalho que serve como adjudicação. Enviem sempre um e-mail com as condições para que haja algo escrito.

    Nunca mas mesmo nunca, comecem um trabalho sem que tenham algo escrito e de preferência algum dinheiro da vossa parte.

    Bons trabalhos. 🙂

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